A N C O R A D O U R O

Projeto de Longa-Metragem

Selecionado na Competição de Roteiros no 26º Festival
do Novo Cinema  Latino Americano de Havana, em Cuba, o projeto
foi o melhor qualificado em roteiro e conceito de direção no Concurso de Projetos de Baixo Orçamento do Ministério da Cultura em 2015. 

Ancoradouro flerta com o falso documentário e o ensaio ficcional,
reunindo referências que vão desde literatura moderna, arte e filosofia, passando pelos cinemas novos latinos e europeus dos anos 60 e 70
e o vídeo experimental contemporâneo.

Sinopse

Um homem sem nome deixa o emprego para não fazer nada
por algum tempo. A liberdade, para ele, é o intervalo entre um compromisso
 e outro. Ou até que o dinheiro acabe. De fato, sua petulante intenção é viver seus dias de flâneur, boêmio e poeta. Mas é curioso que ele parte para a jornada sem considerar que o mundo possa ter mudado desde meados do século XIX, sem contar que ele não mora em Nova York, Londres ou Paris, mas em uma cidade portuária não identificada da América Latina. Este irônico erro de cálculo dará o tom imperfeito desta aventura incômoda e existencial. Um mergulho profundo no lugar onde vive, ao centro de suas próprias contradições, talvez a possibilidade de um novo ancoradouro.


Khouri, Tarkovski, Glauber, Bresson e Godard são algumas das principinais inspirações do projeto.

Projeto

Ancoradouro é um projeto de filme de longa-metragem de baixo orçamento com direção de Muriel Paraboni, destinado ao circuito nacional internacional de cinema independente. O objetivo é a extensa exibição em festivais, salas de projeção comerciais e especiais, bienais e galerias de arte, além de distribuição por canais de TV a cabo, VOD e streaming. 

O roteiro é inspirado no clássico 'Memórias del Subdesarrollo', de Thomás Gutiérrez Alea, cujo diálogo com o existencialismo motiva esse projeto: o olhar filosófico colonizado na realidade caótica e contraditória da América Latina, 

As referências que norteiam a linguagem e a estética do filme vêm de Glauber Rocha, Walter Hugo Khouri, Julio Bressane, Alain Resnais, Jean-Luc Godard, entre outros. Tanto a estrutura quanto a linguagem propostas são baseadas no diálogo entre os Novos Cinemas dos anos 60 e 70 e o chamado cinema metafísico de autores como Robert Bresson e Andrei Tarkovski. 

A narrativa é apoiada em um eixo dramático íntimo e contemplativo, reunindo em torno elementos heterogêneos de fluxo poético, videografia e colagem visual.

Considerações do Diretor

Ancoradouro é um filme sobre a crise. Crise como mudança, ruptura, transformação. Nesse sentido, a crise é antes um processo de introspecção que afeta o sujeito quando certas maneiras de ver e agir no mundo não servem mais, revertendo no descompasso entre o universo interno e o mundo externo.

O filme propõe a experiência concentrada de uma passagem momentâneo de crise na vida de um homem, um cidadão anônimo, de quem não sabemos muito. Ele rompe com os principais laços que sustentam sua persona social, emprego, casamento, para mergulhar na profunda contemplação de si mesmo e do mundo ao seu redor.

O prédio que se ergue dia a dia diante de sua janela cria uma metáfora: a construção também como ruína, o novo trazendo o germe do decadente, numa reflexão sobre a transformação do homem e do mundo. Tal metáfora é inseparável do contexto que gerou o projeto: a realidade brasileira contemporânea.

O personagem passa por uma crise que está antes fora dele, projetada em uma realidade alegórica. Através de uma narrativa sinuosa, feita de retornos e elipses, em que nada parece sólido, nos deparamos com reminiscências do passado e projeções do futuro, levando gradualmente o personagem para o seu novo ancoradouro.

O filme será rodado no Rio Grande do Sul, com locações em Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Rio Grande  e Cassino.